sexta-feira, 29 de abril de 2016

Como só com um título se me embrulham as tripas


Mais de metade dos bebés nascidos "fora do casamento" em 2015 | Sic Notícias.

Por norma este canal de comunicação não me choca muito. Tem as suas merdas, que tem, como todos têm, até eu, que não sou canal nenhum tenho merdas, mas não costuma pecar excessivamente (aos meus olhos, claro está) pelo sensacionalismo ou títulos descabidos.

Confesso que não li, nem vou ler, a noticia.

Confesso que me choca (ainda) a ideia do casamento como estatuto permissivo para uma vida dita "normal" entre casais. Assim tipo, ter filhos, fazer amor, andar de mãos dadas. E mais me choca ainda, o facto de a ideia de casal estar intrinsecamente associada a um homem e uma mulher.

Não sou pró, nem contra merda nenhuma; sou somente a favor de relações saudáveis e apaixonadas, sejam elas entre homens e mulheres, mulheres e mulheres ou homens e homens. Só assim, os seus frutos serão "normais". A única coisa que me choca, como sempre me chocou são os exageros com que estas relações (de qualquer mistura, vá) são exibidas ao mundo, propagandeadas à força toda. Daquela publicidade ranhosa e descabida que nos entra pelos olhinhos adentro sem a gente pedir e que é, de todo, dispensável e absolutamente inútil.

Assim, relacionar o casamento, enquanto estado civil, com o nascimento de crianças, choca-me. Entendo que casar não conceda a premissa de ter filhos. 
Entendo que a única coisa que nos concede a premissa de conceber seja fazê-lo com amor e na certeza de que o queremos. Só.
 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

E se fosses CUC M. Rosa?

Eu arranjo sempre sarna para me coçar, é que já tenho pouco e resolvo acrescentar sempre mais qualquer merdinha à "sopa".
Nem no caralho dos fins de semana prolongados sento o cu no sofá.
Ora é a roupa que está quase quase em dia e.... só mais 2 máquinas e fica.
Ou é as janelas que estão a meter nojo aos cães e vai daí, lavam-se que assim já ficam.
Ou são as putas das almofadas que já cheiram a mofo e como há tempo vão para lavar que ficam frescas.
Ou é o caralhinho que me foda que arranjo sempre merdas para fazer.
A solução, diz-se, é sair de casa que assim não há cá merdas para inventar e tenho que parar por força de não ter nada para fazer.
Dizem que esta merda são bichos carpinteiros; eu digo que é o hábito de não parar quieta...


terça-feira, 12 de abril de 2016

ai o fim de semana, esses dias de doce descanso e desfrute das maravilhas que a vida tem para nos ofertar #sqn



No sábado, o dia começou muito mal.
Estive com um problema numa obra que começou às 8:00 horas da manhã e só terminou às 20h…muitos (demasiados) telefonemas depois.
Tinha pessoal em obra há 36 horas consecutivas e estávamos de rastos, eles e eu.
A par desta merda toda, tinha a festa de aniversário da minha estrelinha para os amigos (14 dentro da porta, imagina-se a tenda) que preparei o tempo todo de telemóvel pendurado na orelha…. Estava possuída, portanto.
Como não há duas sem três, (e eu sou gaja de trabalhar para fazer jus aos ditados populares) enquanto preparava a festa, a minha santa sogra resolveu vir atazanar-me a alma e, no preciso momento em que uma amiga me ligava, eu estava, pela primeira vez em 20 anos, a discutir com ela… 
Por norma falo muito e muito alto; sou atabalhoada e sem filtro, mas, também por norma, não gosto de discutir; confrontar, enfrentar e fazer-me respeitar, mas sem discutir, no sentido mais comum da palavra. Sendo que certo que discuti praticamente sozinha pois a minha interlocutora só chora e carpida, também é certo que entendo o meu quase monólogo como uma discussão. Discuti comigo por nunca lhe ter dito o que lhe disse neste fantástico sábado, acho que o tom de voz elevado me era dirigido quase em exclusivo.
E sim, era dia de festa. A santa teima em armar a puta em dias de festa. Só que desta vez o meu respeito pelos terceiros que ela compromete nesta sua ânsia pela procura de atenção exclusiva fodeu-se, escapou-se, fugiu-me pelos poros, bateu com os calcantes na cu, como se diz aqui no fim do mundo.
O Domingo trouxe continuação da lição anterior, excluindo a parte da cobra cuspideira que se recolheu ao ninho e espero que por lá se mantenha durante muito tempo. O caralho da loucura de pôr a roupa de 2 semanas em dia (sim, que lá por casa parece que se caga na roupa; uma ninhada de ratos não se reproduz tão rápido quanto a roupa lá em casa, foda-se!) a correr tipo tresloucada, não me deixa desligar e isso cansa-me, tanto!

Dizia eu, que no sábado o dia começou muito mal... pois sim! Mas terminou de forma doce, tão doce que só uma Mãe ou Pai perceberá. Ver a alegria e o sincero obrigada a brotar dos olhos de um filho é o expoente máximo de felicidade, de realização pessoal e isso, isso por si só, ultrapassa tudo o resto que nos atazana a alma. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Assim rola a vida no fim do mundo

- 2 aniversários com intervalo de 4 dias (um deles de uma pita dançarina)
- 1 projecto megalómano de intervenção social (daqueles que tiram o sono e fazem dores de barriga de tão bons que são)
- 2 estagiários para orientar (um deles é uma pita que chora, muito)
- 2 empresas com obras brutais e entrarem de uma assentada só (é vê-los a arrancar paralelos de tão rápido que a coisa tem que rolar)
- canalhada para vacinar (soubessem vós o espectáculo que foi a última vez até choravam como eu)
- cria mais velha a entrar em modo "pro" na coisa da dança (todos os dias, 2 a 3 horas por dia)
- cria mais nova em plena crise existencial (voltou o caralho choro e das birras constantes)
- reuniões na escola da mais nova, a ver se a coisa atina
- reuniões na escola de dança da mais velha, a ver se o meu bolso não falece
..................

Nada de novo.
Só andamos a mil (de novo)

quinta-feira, 31 de março de 2016

são fases senhor, são fases...

Seu Aranhiço fez anos.
Fomos almoçar os dois, SÓ OS DOIS!
Entre um misto de remorsos e alívio por termos aviado a canalha cumprindo a rotina diária, tivemos tempo para conversar e divagar como antigamente por mais de 2 minutos consecutivos...
Eu falo, falo muito e 20 anos depois, constatamos que ainda temos assunto para horas seguidas.
Estes momentos reavivam a cumplicidade e a amizade profunda que os une.
Entre muitos assuntos ele conclui que vivo de forma assoberbada, que sinto exageradamente, que gosto exageradamente, e que não gosto exageradamente também.
Dificilmente esqueço, quer mágoas, quer alegrias.
Quem fica, fica para sempre, de forma desmedida me tem e me terá.
Quem apago ou deixo ir, em 40 anos, nunca regressou; por vezes, esmero-me neste disfarce perpetrado por obrigações morais de respeito aos terceiros apanhados na teia, mas a máscara cai ao mínimo sopro.
Guardo tudo como se de uma caixinha de recordações se tratasse e revivo cada amigo com uma paixão exacerbada. Amigos são todos de quanto gosto. Família ou não, em todos quanto gosto, tenho um amigo.
Já seu'Aranhiço, esse é um doce que esquece quase todo o mal que lhe fazem... esticas as garras e parece que vai morder a direito, mas na hora de fechar a mandíbula... dá beijinho. Esforça-se por não reviver as mágoas e arruma-as num cantinho, na gaveta lá do fundo, naquela que quase nunca se abre porque só temos monos lá dentro.
Bem se consta que a balança precisa de contra-peso para equilibrar, e é tão, mas tão verdade.
Sempre me disseram que a minha determinação era característica da fase pela qual estava a passar naquele momento em concreto, mas 40 anos volvidos, das duas uma, ou a fase muda de 40 em 40 (o que não me cheira, de todo!) ou sou destrambelhada, e nem com mais 40 em cima me tornarei uma pessoa afável ou menos pragmática.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Pode ser que daqui a mais 40 já não cogite tanto

Ando a mil novamente, com mais um projecto extra em mãos que me atormenta a alma até que o seu final chegue. Espero que seja um final feliz, ainda há finais felizes, ainda há pessoas felizes e de bem com a vida que se permitem, cagando na opinião dos demais, ser seres humanos no verdadeiro sentido da expressão.
No domingo passado estive com uma amiga que adotei para ser o meu cérebro nestas empreitadas de loucura, não a minha mão direita, nem a esquerda, nem outra parte qualquer do meu corpinho, mas sim o meu cérebro, a cabecinha pensadora, a luz que me encandeia o caminho quando tudo à volta me parece escuro que nem um caralho dum breu.
Ela pareceu-me distante, considero-a amiga, porque amigos são os que nos chegam por bem, sem intenção de retorno da sua entrega e sem querer publicidade (essa puta que move egos) em troca.
Tem andado desligada, mais caladita nesta nova empreitada, mas como se entregou de coração a um projecto do jornal da faculdade onde lecciona, não estranhei. Quer dizer, estranhei, mas não dei a importancia devida. Receei intrometer-me demais; afinal ela não é obrigada a nada!
Quando algo não me parece bem, normalmente reajo, normalmente questiono. Mas desta vez calei-me e custa-me de caralho perceber que fui passiva, permissiva à minha preguiça mental, essa merda que tão ferozmente critico.
A meio de (mais) uma tarefa profissional inadiável ela ligou-me hoje; e eu parei para a atender; respirei fundo; aquela não era a altura ideal mas parei; sem saber muito bem porquê, eu tinha uma culpa qualquer cravada em mim... não consigo explicar mas eu devia-lhe aquela paragem, aqueles minutos.
A sua voz airosa era como sempre uma lufada de ar fresco nos meus ouvidos cansados de aturar tanta grunho durante o dia. Mas ela estava mais acelerada, na caixa do pingo doce, a pagar as compras arrumando tudo nos sacos, e a dizer, desculpe? quanto disse que era; espere um minuto que tenho trocado, acho eu; ora cá está; espera tu, não me desligues que eu quero-te falar e tem que ser agora; espera; obrigada, boa tarde e bom trabalho; obrigada; pronto, já está agora nós meu doce...
E ela falou. E eu levei um soco; e sentei-me; e levantei-me; e corri os 3 sofas da minha sala; e todos me pareceram demasiado desconfortáveis para que o meu cu lá ficasse mais que 2 segundos; e ouvi-a; e arrepiei-me; e arrepio-me agora ao escrever; ela sofreu a espera sozinha; em silencio absoluto durante 3 semanas; são 21 dias! é muito dia e muita noite para engolir e esperar sozinha; não é possivel! onde estive eu? porque não me questionei? Saí agora da consulta; liguei ao gajo, à B e estou a ligar-te a ti; tu desculpa-me esta ausência, mas não conseguia pensar; o chão fugiu-me durante estes dias.
... A mim acabou de me fugir o medo de questionar alguém só por receio de me poderem considerar intrometida.
Afinal, a minha velha máxima de que'ssafoda os que outros pensam, ainda não está suficientemente interiorizada; há que repetir mais amiúde; estou a pensar mandar fazer um quadro bem grande para colocar à cabeceira da cama. 40 anos a repetir esta merda e ainda não a ponho em prática em modo automático? conduzo há menos tempo e já não penso no que fazer aos pés e ao volante! Arre burra!
PQMP...




sábado, 19 de março de 2016

Dia de?

Ao meu pai:
Olha paizinho, amo-te muito.
És o melhor pai do mundo
Estás sempre ao meu lado
E és o maior!
E coiso e tal, tipo: faço minhas todas a frases fantásticas que circulam hoje.
...........

Ai espera!
Ele não sabe que escrevo de forma regular, muito menos num blog, nem sabe o que é esta merda dos "belogues"
...........

Ai espera!
Vou estar com ele daqui a pouco.
............

Ai espera outra vez!
Não falo contigo há 15 dias.
(Mas hoje é dia do pai, quessafoda)
..............

Pareço os outros a mandar mensagens pelo Facebook aos velhotes que já quinaram (deve haver net lá no além, afinal, têm que se entreter com alguma merda, a eternidade deve demorar de caralho a passar) outros há, que não sabem sequer ligar um computador ou o que é a Internet, mas quessafoda!
É dia do pai...

quarta-feira, 16 de março de 2016

Em vós

É nestes fios de cabelo, que brilham independentemente do estado do tempo ou da alma, que reluzem independentemente de o mundo girar de forma estabalhoada lá fora, independentemente de tudo o que é sujo me atordoar a cada instante; é nestes fios de cabelo e na luz que deles emana cuja imensidão só eu conheço, só eu percebo, que me inspiro...
É por eles que inspiro e acalmo a mordacidade que se apodera de mim.
É por eles que blasfemo, é por eles que, a cada dia que passa, a cada experiência que vivencio, faço questão de me fazer escutar, de não me deixar levar na manada, de fazer valer, e acima de tudo, de cumprir o meu plano de vida, calcorreando dentro das linhas mestras pelas quais pauto a minha vida e pelas quais faço questão que a minha descendência se guie. Independentemente de tudo o resto.
Podeis ser o que desejardes, só não podeis ser vazias, só não podeis ser más ou mal-formadas. Podeis ser, só. Para mim basta que sejais felizes e que nunca vos escondeis, nunca. Deveis ao mundo a vossa frontalidade, a vossa sinceridade, sensata é certo, mas autêntica e sem floreados. Não ides agradar a muitos, provavelmente poucos serão os que convosco vão partilhar caminhos e metas, preparai-vos. Mas ides agradar aos que importam, aos que se identificarem convosco e aos que partilharem da vossa visão. Isto não significa que a vossa perspectiva seja a ideal ou não apresente fragilidades. Não sois, nem ninguém é, a última bolacha do pacote. Não há formas de estar ou pensar corretas, isso é uma utopia, é um devaneio, não existe simplesmente. Mas, pesados os pratos da balança, recordai-vos sempre disto: não é o mundo que precisa de nós, ele gira e girará independentemente de cá estarmos ou não, independentemente de sermos boas ou más pessoas; antes sim, somos nós, se quisermos ser dignos de ser apelidados de pessoas, que precisamos do mundo; sem ele, a lado algum chegaremos, tarefa alguma terminaremos.