É nestes fios de cabelo, que brilham independentemente do estado do tempo ou
da alma, que reluzem independentemente de o mundo girar de forma estabalhoada
lá fora, independentemente de tudo o que é sujo me atordoar a cada instante; é
nestes fios de cabelo e na luz que deles emana cuja imensidão só eu conheço, só
eu percebo, que me inspiro...
É por eles que inspiro e acalmo a mordacidade que se apodera de mim.
É por eles que blasfemo, é por eles que, a cada dia que passa, a cada experiência que vivencio, faço questão de me fazer escutar, de não me deixar
levar na manada, de fazer valer, e acima de tudo, de cumprir o meu plano de vida, calcorreando
dentro das linhas mestras pelas quais pauto a minha vida e pelas quais faço
questão que a minha descendência se guie. Independentemente de tudo o resto.
Podeis ser o que desejardes, só não podeis ser vazias, só não podeis ser más
ou mal-formadas. Podeis ser, só. Para mim basta que sejais felizes e que nunca
vos escondeis, nunca. Deveis ao mundo a vossa frontalidade, a vossa
sinceridade, sensata é certo, mas autêntica e sem floreados. Não ides agradar a
muitos, provavelmente poucos serão os que convosco vão partilhar caminhos e
metas, preparai-vos. Mas ides agradar aos que importam, aos que se identificarem
convosco e aos que partilharem da vossa visão. Isto não significa que a vossa perspectiva
seja a ideal ou não apresente fragilidades. Não sois, nem ninguém é, a última
bolacha do pacote. Não há formas de estar ou pensar corretas, isso é uma utopia,
é um devaneio, não existe simplesmente. Mas, pesados os pratos da balança,
recordai-vos sempre disto: não é o mundo que precisa de nós, ele gira e girará
independentemente de cá estarmos ou não, independentemente de sermos boas ou
más pessoas; antes sim, somos nós, se quisermos ser dignos de ser apelidados de
pessoas, que precisamos do mundo; sem ele, a lado algum chegaremos, tarefa
alguma terminaremos.
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