Seu Aranhiço fez anos.
Fomos almoçar os dois, SÓ OS DOIS!
Entre um misto de remorsos e alívio por termos aviado a canalha cumprindo a rotina diária, tivemos tempo para conversar e divagar como antigamente por mais de 2 minutos consecutivos...
Eu falo, falo muito e 20 anos depois, constatamos que ainda temos assunto para horas seguidas.
Estes momentos reavivam a cumplicidade e a amizade profunda que os une.
Entre muitos assuntos ele conclui que vivo de forma assoberbada, que sinto exageradamente, que gosto exageradamente, e que não gosto exageradamente também.
Dificilmente esqueço, quer mágoas, quer alegrias.
Quem fica, fica para sempre, de forma desmedida me tem e me terá.
Quem apago ou deixo ir, em 40 anos, nunca regressou; por vezes, esmero-me neste disfarce perpetrado por obrigações morais de respeito aos terceiros apanhados na teia, mas a máscara cai ao mínimo sopro.
Guardo tudo como se de uma caixinha de recordações se tratasse e revivo cada amigo com uma paixão exacerbada. Amigos são todos de quanto gosto. Família ou não, em todos quanto gosto, tenho um amigo.
Já seu'Aranhiço, esse é um doce que esquece quase todo o mal que lhe fazem... esticas as garras e parece que vai morder a direito, mas na hora de fechar a mandíbula... dá beijinho. Esforça-se por não reviver as mágoas e arruma-as num cantinho, na gaveta lá do fundo, naquela que quase nunca se abre porque só temos monos lá dentro.
Bem se consta que a balança precisa de contra-peso para equilibrar, e é tão, mas tão verdade.
Sempre me disseram que a minha determinação era característica da fase pela qual estava a passar naquele momento em concreto, mas 40 anos volvidos, das duas uma, ou a fase muda de 40 em 40 (o que não me cheira, de todo!) ou sou destrambelhada, e nem com mais 40 em cima me tornarei uma pessoa afável ou menos pragmática.
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Podem botar faladura à vontade (mas não à vontadinha ok?)