Ando a mil novamente, com mais um projecto extra em mãos que me atormenta a alma até que o seu final chegue. Espero que seja um final feliz, ainda há finais felizes, ainda há pessoas felizes e de bem com a vida que se permitem, cagando na opinião dos demais, ser seres humanos no verdadeiro sentido da expressão.
No domingo passado estive com uma amiga que adotei para ser o meu cérebro nestas empreitadas de loucura, não a minha mão direita, nem a esquerda, nem outra parte qualquer do meu corpinho, mas sim o meu cérebro, a cabecinha pensadora, a luz que me encandeia o caminho quando tudo à volta me parece escuro que nem um caralho dum breu.
Ela pareceu-me distante, considero-a amiga, porque amigos são os que nos chegam por bem, sem intenção de retorno da sua entrega e sem querer publicidade (essa puta que move egos) em troca.
Tem andado desligada, mais caladita nesta nova empreitada, mas como se entregou de coração a um projecto do jornal da faculdade onde lecciona, não estranhei. Quer dizer, estranhei, mas não dei a importancia devida. Receei intrometer-me demais; afinal ela não é obrigada a nada!
Quando algo não me parece bem, normalmente reajo, normalmente questiono. Mas desta vez calei-me e custa-me de caralho perceber que fui passiva, permissiva à minha preguiça mental, essa merda que tão ferozmente critico.
A meio de (mais) uma tarefa profissional inadiável ela ligou-me hoje; e eu parei para a atender; respirei fundo; aquela não era a altura ideal mas parei; sem saber muito bem porquê, eu tinha uma culpa qualquer cravada em mim... não consigo explicar mas eu devia-lhe aquela paragem, aqueles minutos.
A sua voz airosa era como sempre uma lufada de ar fresco nos meus ouvidos cansados de aturar tanta grunho durante o dia. Mas ela estava mais acelerada, na caixa do pingo doce, a pagar as compras arrumando tudo nos sacos, e a dizer, desculpe? quanto disse que era; espere um minuto que tenho trocado, acho eu; ora cá está; espera tu, não me desligues que eu quero-te falar e tem que ser agora; espera; obrigada, boa tarde e bom trabalho; obrigada; pronto, já está agora nós meu doce...
E ela falou. E eu levei um soco; e sentei-me; e levantei-me; e corri os 3 sofas da minha sala; e todos me pareceram demasiado desconfortáveis para que o meu cu lá ficasse mais que 2 segundos; e ouvi-a; e arrepiei-me; e arrepio-me agora ao escrever; ela sofreu a espera sozinha; em silencio absoluto durante 3 semanas; são 21 dias! é muito dia e muita noite para engolir e esperar sozinha; não é possivel! onde estive eu? porque não me questionei? Saí agora da consulta; liguei ao gajo, à B e estou a ligar-te a ti; tu desculpa-me esta ausência, mas não conseguia pensar; o chão fugiu-me durante estes dias.
... A mim acabou de me fugir o medo de questionar alguém só por receio de me poderem considerar intrometida.
Afinal, a minha velha máxima de que'ssafoda os que outros pensam, ainda não está suficientemente interiorizada; há que repetir mais amiúde; estou a pensar mandar fazer um quadro bem grande para colocar à cabeceira da cama. 40 anos a repetir esta merda e ainda não a ponho em prática em modo automático? conduzo há menos tempo e já não penso no que fazer aos pés e ao volante! Arre burra!
PQMP...
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