terça-feira, 15 de março de 2016

Confissão#8



Dormi 2 horas esta noite.
Fechei os olhos durante 2 horas esta noite, vá.
Sou estabalhoada, distraída e impetuosa. Muito impetuosa admito.
Mas há algo que não sou. Cinzenta. Nem preto nem branco para não ferir suscetibilidades. Não sou.
Uma vez mais deparei-me com pessoas cinzentas, daquelas às quais costumo chamar sonsas, fofas, boazinhas.
Há gente que não parte um prato porque não se faz, porque não se deve fazer, mas debaixo dos seus telhados, dentro das suas casas, lá bem no fundo dos seus âmagos são os chamados montes de merda, pior, que a merda a gente apanha e limpa, mas a cagada que estes seres fofos e arranjadinhos e perfeitos e o caralho fazem, não se limpa, não há esfregona que retire as côdeas que elas deixam pelo caminho que percorrem, o cheiro a podre, a velho, que largam por onde rastejam. A sua marca é imperecível, fica cravada tanto no mais imaculado chão, como no mais pecaminoso coração.
Se há algo que me consegue surpreender sempre, mas sempre, que eu sou burra que nem um cepo, é a falta de carácter, a falta de coragem, a falta de “ser”. Deambular é algo que agonia e me enjoa mesmo. Ontem senti-me enjoada e enojada, não em sentido figurado, mas de verdade. Levantei-me imensas vezes, saí do quarto porque não conseguia posição em que o meu corpo permitisse que a cabeça parasse de patinar em seco.
A falta de coragem para viver, para enfrentar a realidade e os sentimentos, transcende-me. Não percebo. Mas talvez estas pessoas não possam admitir que são uma merda, que não são, que gravitam, que são podres, que não velem merda nenhuma, que subsistem à custa de existências alheias. Talvez, bem lá no fundo do seu parco e maleável sentido de realidade, se bem que de forma involuntária, consigam percecionar a frouxidão da sua existência e eles próprios se envergonhem de “não ser”, de parasitar, de constatarem que, de facto, são uns inúteis.
Surpreendes-te porque ainda não percebeste que és o contra-peso na balança errada. Nunca a irás equilibrar.

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