Confesso que
sou destemida e tenho uma basófia daquelas que mata tudo e todos de uma
assentada só, sem olhar para trás. Assim à primeira vista e faladura quem (só)
me ouve entende (e bem) que sou a verdadeira cabra. Há quem diga que tenho uma
treta do caralho, mas acho que são só bocas reacionárias majé!
Sou muito
prática e resoluta. Sem rodeios e depois de reflectir de forma ponderada, tomo
a atitude que entendo como certa e siga, logo se vê o que virá a seguir.
Sou assim
com tudo na minha vida, tanto a nível pessoal como a nível profissional.
Escrevo
estas linhas sem correcção, retificação de texto ou revisão sequencial de
ideias. Escrevo porque neste exacto momento preciso de desabafar e como não há
padres por perto e eu não sei a reza do perdão, segue por aqui mesmo.
Sou
impetuosa e agradeço que o sejam comigo. Quem reage a quente mostra as
entranhas logo ali. Consegue-se perceber o tipo de pessoa que temos pela frente,
assim tipo os bêbados no auge da bebedeira que pela treta já em fase de decadência se vê se têm bom
vinho ou não.
Não consigo levar na bagageira merdas por digerir nem tão pouco
tenho espaço livre para tal (como muito de noite e acordo de estômago cheio,
qual orca após um longo período de hibernação - as orcas hibernam? não, pois
não? safoda lá isso).
Dizia que sou
resoluta. E sou. Sem rodeios. Detesto merdas, não só no sentido literal, que
isso também detesto é um facto, mas naõ suporto merdices, conices, pessoas pouco
resolvidas que ora dizem que sim que é branco, como mudando o interlocutor, já
afirmam que afinal e visto de outra perspectiva é cinzento. Ou é, ou não é, cá
nim's não me servem de merda nenhuma. Bato com a solução na mesa (pra não dizer que bato com eles, porque não os tenho), apresento
alternativas e tomo decisões sem mais demoras. Quando é preciso limpar as sobras, pego na
esfregona, enlaço as gadelhas e dou ao zarelho.
Quando
alguém se atravessa no curso de uma decisão tomada em consciência e devidamente
validada só para ficar bem na fotografia, dá-me náuseas e isto aplica-se à
minha vida pessoal mas também à profissional, sendo que é este (enorme) fragmento
do meu dia-a-dia que hoje me faz dar às teclas com vontade de esganar um galo.
Não me calo, não consigo ficar indiferente e manter-me silenciosa no meu canto.
Consigo surpreender os mais resistentes, os mais preparados para a guerra,
consigo por vezes surpreender-me a mim própria com a minha falta de filtro. Será
possível estas merdas estarem-nos no sangue? Ou será a idade a pesar? É que
cada vez mais me vejo fodida para travar os pensamentos; saem em vómito a jacto
pela bocarra fora e quando acordo da anestesia, já está! Está dito! Mas fico
bem. Fico calma, limpa de caroços entalados no gargumilo que antes me impediam
de respirar livremente. Assim tranquila é mais profícuo reflectir e aparar as
pontas soltas das palavras que nos esbarram nas fuças.
Volto à guerra
de peito feito mas por vezes caio (em silêncio e sozinha para que ninguém me
conheça a falta de força, umas vezes mais que outras) e por vezes acho que me
devia permitir cair mais, só porque sim. Assumir que caí, que me custa, que também me dói, apesar
de ser “A Cabra”, mas daqui a nada isto já passa. Agora o que não passa é a
incompreensão pela maleabilidade de quem assistindo a uma guerra sentado no seu
belo sofá com o cú apoiado em almofadas fofinhas, venha cagar postas de pescada
em casa alheia depois de todos andarem à batatada e com as feridas ainda a
sangrar. Ser demagogo é fácil quando não se lida com a merda. Dizer que a
sanita cheira mal e que é preciso limpar é fácil quando temos quem a esfregue
por nós. Mandar é fácil sempre se ouviu dizer e é bem verdade. Nem sempre quem trabalha
connosco é colega, e nem sempre os colegas valem merda alguma.