Falava há uns dias das festas de Natal da criançada e dos exageros dos paizinhos e mãezinhas e avózinhas e o caralhinho em levar esta celebração ao extremo.
A festa de natal, perdão, de final de período, da minha estrelinha mais nova aconteceu este sábado passado em pleno Fórum daqui da cidade.
Pagamos as fatiotas, os bilhetes dos pais, os bilhetes dos convidados, o estacionamento... enfim, pagamos tudo e mais um par de botas qu'isto de ter filhos em escolinhas xpto sai caro comó caralhinho.
Ouvia uma amiga a falar sobre a festa de Natal da sua filha e fiquei rendida à simplicidade do festejo natalício que me apresentou e que eu tanto queria em contexto escolar para a minha filha também. Algo simples, com partilha de sentimentos e trocas de mimos. Afinal, para mim e para a nossa família, isto sim, representa o Natal.
Mas a minha filha faz parte de um grupo do qual, apesar de não concordar com os festejos exacerbados e sem sentimento direccionado às crianças, eu não a posso excluir. Será o último ano que frequenta esta escola e, como tal, esta festinha foi a última, o que muito me agrada dado o simples facto de não me identificar nem com a preparação exaustiva e levada ao extremo, nem com o publico que presenciou o festejo.
Eu até vou de mente aberta, juro! todos os anos penso, fode-te lá, que as pessoas são diferentes, que este ano não vai haver fofas, que os putos vão estar felizes! Mas todos os anos saio da puta da festa com a sensação de vazio, a praguejar e desejar que esta gente cresça e deixe de viver para os outros e passe a viver para os filhos. A fofalhada está lá toda de alma e coração, no alto dos seus longos cabelos arranjados de forma exímia pela cabeleireira da rua e sapatos de tacão de metro e meio; as avós fofas com o seu célebre cherinho a mofo e a laca dos anos oitenta, com as putas das fatiotas que têm separadas para levar prá cova; os avôs de tromba em riste qual elefante enclausurado; os papás de tablets e iphones e máquinas fotográficas de última geração quais profissionais da bela da fotografia a captar a primeira aparição em público das próximas Ágatas do pedaço. E as crianças.... essas coitadinhas... amorfanhadas em abraços abafados e beijos secos, amparadas por sorrisos direccionados aos convidados com baba a escorrer pelo queixo.... muito bem! estiveste muito bem! estou tão feliz! acertaste tudinho! foste a melhor! estou muito orgulhosa de ti!
Lamentável....
Este tipo de comportamento não é transversal a todos os pais. Felizmente! Mas como tenho uma puta duma pontaria fenomenal, todos os anos alapo o rego do cagueiro ao lado dos maiores cromos da plateia e este ano não foi excepção; a gaja do lado gritava a plenos pulmões: BRRAVO!!!! Maria!!! Maria!! BRRAVO! (a chavala tem 3 anos e tremia em palco ao ouvir o caralho dos gritos histéricos da mãezinha, procurando de forma temerosa a figura parental que a chamava)
À minha, as perguntas da praxe: gostaste? estás feliz?
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Podem botar faladura à vontade (mas não à vontadinha ok?)