Libelinha, destrambelhada, com um tasco que é seu, mas onde não está, mãe de duas estrelinhas e sempre com muito por fazer.
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Erros de cálculo | as queixas
Início do primeiro ciclo...
As queixas, em retrospectiva, começaram quase no imediato.
Eram esporádicas, mas assertivas, coerentes.
Nunca foram invenção, dizem quer o pediatra, quer a psicóloga; eu corroboro, corri vezes sem conta com ela para as urgências, aparei demasiado vomitado e limpei várias dejecções.
São sintomas físicos verdadeiros e reais. É o corpo a responder à ansiedade, ao receio, à novidade.
Começamos no primeiro ano com crises de vómitos, de diarreias.
Num dos dias em que sentiu mal, esteve desde manhã até à hora de saída com cocó nas cuecas - deu um bufa com recheio e assim ficou todo o santo dia. Não confiou em ninguém o suficiente (e a puta da escola tem montes de gente a trabalhar) para partilhar este percalço... queixou-se de dores de barriga várias vezes durante o dia, mas a professora não relevou... desvalorizou, recalcou, não teve uma palavra de cuidado, não notou nada de diferente. Como é possível? Eu sei que são muitos, eu sei que o tempo é escasso, mas não entendo nem concebo que não se dê atenção às crianças...Tinha o rabo assado no final do dia, em ferida. Chegou-me a andar de pernas fechadas, muito lentamente. tinha andado assim todo o dia e ninguém reparou, ninguém olhou... ficou uma semana seguida doente em casa.
Estas crises repetiram-se durante o ano lectivo.
Tinha muitas vezes como reporte do dia de aulas, a informação que a professora era má... que não gostava deles... que lhes arregalava muito os olhos e que lhes gritava.
Perguntava, sempre, se lhe tinha feito alguma coisa a ela. A reposta era sempre negativa: a mim não, mãe! mas é má. Eu concordava, sempre concordei. Mas também sempre relevei. Afinal não era com ela... e sempre que lhe perguntava se gostava da professora, ela respondia-me que sim... eu ficava confusa, ainda mais confusa (agora percebo que, à data, não conhecia outra realidade que não aquela).
Tivemos dores de cabeça imensas vezes; em conversa com a professora, ela confirmava que a maioria dos alunos se queixava de dores de cabeça, de dores de barriga, que tinha já 4 crianças medicadas para ansiedade... mas que a turma não era muito má...Tivemos, desde outubro de 2017, 3 crises de intestino, a última das quais revelou gânglios inflamados tal era a violência dos vómitos e da diarreia. Fez exames médicos, análises e o caralho a quatro. Esteve 4 dias, 96 horas, sem comer NADA! Mais uma semana seguida em casa; mais pânico na minha cabeça, desta vez, daquele que sufoca.
Começou pouco após o início das aulas a achar-se gorda... (é, literalmente, um pau de virar tripas) e bate na tecla de forma bastante convicta.
Deixou de querer sair... é muita confusão... podíamos ficar em casa sossegados...
O receio de ficar sozinha, mesmo que só por breves momentos, existe desde sempre. Prova que apesar de altiva, e de possuidora de um mau feitiozinho de merda, como a mãezinha dela, é, e sempre foi, bastante insegura - como não me apercebi? como julguei que por ter aquele feitio, aquela postura de liderança, era segura?
O ballet teve altos e baixos, muitos baixos, enquanto teve por professora (tudo no mesmo espaço temporal) alguém que falava muito alto, elevava o tom de voz com uma outra miúda que era levada da breca; mais uma vez, nada relacionado directamente com ela, mas que lhe "fazia confusão". Deixou de ir...
O adormecer lá em casa nunca foi algo idílico como leio e ouço por aí; lá em casa sempre tive que me deitar ao lado delas para que adormecessem... tentei, variadíssimas vezes, que adormecessem sozinhas, e por vezes conseguia, mas por norma, deitar-me ao lado da mais nova e dar-lhe a mão até adormecer é-me pedido todos os dias; normalmente não recusava, e agora então... Nunca ninguém devia recusar o mimo a um filho para que adormeça em paz e em "segurança"... Eu nunca mais o farei, nem que a cozinha grite por uma arrumação, nem que o trabalho a ser feito para amanhã ecoe na minha cabeça, ou mesmo até que a associação precise de mim como de pão para a boca - que se fodam todos, que acabe o mundo num desmoronar de louça por lavar e trabalhos por fazer - o mimo às minhas estrelinhas estará sempre em primeiro.
(...)
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Podem botar faladura à vontade (mas não à vontadinha ok?)