À hora do almoço levei um murro no estômago.
A cria mais velha deixou escapar um desabafo vindo do nada que me abananou...
Sabes? A Antonieta (chamemos-lhe assim) disse-me que o Pai bate na Mãe - assim de chofre, sem aviso prévio, sem sirene a avisar que o fumo iria trazer consigo o fogo...
Fiquei atónita, de boca aberta qual morcona da terrinha a mirar o mar ao vivo e a cores pela primeira vez.... não respondi, não consegui.
Ela respirou e continuou depois de olhar bem fundo os meus olhos: e às vezes também lhe bate a ela - falava num tom doce e baixo, muito baixo, quase que a pedir-me desculpa pelo que me estava a contar.
Durante uns cinco segundos que me pareceram uma hora fiquei muda. E agora? o que digo a esta criança quando nem eu sei o que pensar? tenho que lhe dizer alguma coisa caralho!
Inspira e vai: sabes filha, às vezes os crescidos fazem coisas parvas....
Não mãe, não sei nem consigo perceber; desculpa mas isto não tem perdão! como é possível? bater? eu nunca o vi chateado com os filhos! parece que está tudo bem e agora é isto? - agora sim, a sua voz estava marcada pela revolta que lhe fazia doer o coração como me disse.
Pois.... nem sei muito bem o que te diga assim de repente, a não ser que... há coisas inexplicáveis que algumas pessoas fazem e que são isso mesmo, inexplicáveis.
Ficas a saber que se ela algum dia precisar eu lhe vou dizer para vir morar cá em casa! e não te adianta dizer que não queres a casa constantemente infestada de mijonas histéricas! Certo? Certo mãe??
Mesmo aqui "à beira", na casa de quem conhecemos, mas que afinal desconhecemos por completo, há um caso de violência.... que me revolta as tripas e que me faz equacionar muita merda num passado recente e num presente imperceptível aos meus olhos ora cegos.
Estou em regurgitação sobre esta merda e não consigo descansar a minha alma.
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