Eu tive (tenho) um sonho...
A minha profissão de sonho, a minha profissão de vida, aquela que me faz
suspirar e pela qual julgo acordaria todos os dias com um sorriso rasgado e a
ansiar pela hora de começar, não me é permitida, não lhe chego, não tenho
competências para a executar.
Estive apaixonada, estive enamorada. Neste momento sei que amo algo a que
não me posso racionalmente arriscar e a frustração instala-se aos poucos
tornado o dia a dia assim pró insípido; tal como quando nos perdemos de amores
por um artista de um filme e percebemos que ele nunca saberá de nós, mas
continuamos a amá-lo desmesuradamente… assim é o meu sonho diário.
Aos 40 anos somos novos para a vida, mas velhos para desafios de vida. E eu sinto-me triste por não me ser permitido sonhar para além da
minha realidade diária. Por não ter capacidade financeira de largar tudo e
mudar de rumo, mudar de vida, escalar a muralha do meu sonho sem por em causa a
vida das minhas filhas, dos créditos que tenho que pagar.
Sou velha para
sonhar, sou velha para me aventurar no sonho de arriscar a que os pratos da balança
se equilibrem por si só. Não que a minha profissão actual não tivesse sido a
escolhida há muitos anos atrás, que o foi. Mas a idade leva-nos a apreciar
outras lides, permite-nos gozar, em sentido literal, as descobertas que vamos
fazendo pela vida fora, as novas paixões que se vão tornando nos novos amores
das nossas vidas. Apesar da idade ser um posto, traz consigo obrigações das
quais não nos podemos desresponsabilizar ou ilibar.
A vida traz travões incorporados. Mas esta noite sonhei sem travões e
adorei! Depois acordei e a realidade fez-me sentir frio…

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