sexta-feira, 8 de julho de 2016

Há festa na minha aldeia

A mai'nova faz anos este final de mês.
Ontem ao jantar o tema de conversa foi a sua festa de aniversário com os colegas da escola.
A miúda tem mau feitio e é, por natureza, uma pita chorona daquelas de fazer levantar o único pelo púbico que nos resta após uma hora de tortura na Lili dos pelos.
Por sua vez, a mãe da miúda, dizem, é uma carga de mau feitio só, não saindo a desgraçada às pedras da calçada como canta o caralho do ditado popular que toda a gente teima em relembrar ao mínimo queixume dos papás da criatura.
 No seguimento do pragmatismo da mãe, que não a deixou ir a festas de aniversário em que nem todos os amiguinhos da sala tinham sido convidados, e por cá é assim, ou se concorda ou se salta fora, simples, diz a cahopa, do alto do seu douto conhecimento sobre o mundo, o seguinte:
- por mim, fazia cá em casa MAS! espera mãe, não te passes que ainda não terminei! como somos muitos, somos 26 na sala e ai d'eles que não venham todos, decidi (adoro as decisões da minha filha pá! ela manda e parece que os morcões dos velhotes nem têm direito a opinar, tipo: senta, deita, rebola) que quero a minha festa num parque! E que nem se atrevam a não vir! Eu vou fazer noutro lado para que possam vir todos, porque não se pode não convidar todos, e se eles não vêm, eu vou-me chatear a sério mãe! ouviste? Mesmo a sério! até sou capaz de lhes dar uma chapadita! só uma chapadita, não é nenhum chuto ou espetar os dedos nos olhos ou assim. Até porque, eu faço tudo para que nenhum deles fique de coração apertado, por isso, ouve bem mãe, por isso eles que não se atrevam a magoar o meu coração, senão... olha senão, é o que sair.


Lá levou com o sermão de não violência e coiso e tal, mas apesar de ter ficado zangada comigo por não ter ido à festa de alguns amigos, parece que consegui passar a mensagem. Compensei-a, confesso. Não com bens materiais, mas compensei.
Ela não foi a algumas festas porque eu não deixei. E não deixei, nem deixo quando nem todas as crianças são convidadas. Não há guita, não se faz festa. Simples. A minha filha só teve festa o ano passado, até lá não houve guita. Não houve guita, não houve festa. Não facilito quando há crianças magoadas em consequência da pobreza de espírito dos papázinhos, para isso já basta a merda que fazemos inadvertidamente.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Podem botar faladura à vontade (mas não à vontadinha ok?)