Vivo de, e para as minhas filhas.
Não se deve, não nos devemos descurar, nem de nós, nem do nosso companheiro, que afinal será o que nos vai restar quando as nossas lagartas ganharem asas.
Certo. Muito certo.
Mas eu não vivo "by the book", aliás não faço merda nenhuma by the book. Fumo, bebo socialmente mais quando me apetece, tenho uma vida sedentária (entendendo-se como sedentário, não fazer exercício físico), tenho picos absurdos de adrenalina, passo meses sem dormir uma noite seguida, praguejo imenso e uso 5 palavrões a cada frase de 2 palavras, refugio-me em mim vezes sem conta, vivo a 90% para as minhas filhas e toda uma panóplia de outras merdas erradas.
Cada uma das minhas banhas na pança representa quantas vezes me esqueci de mim, quantas vezes anulei a depilação, a caminhada, o arranjar das unhas, o pintar do cabelo, a vontade de fazer amor com o meu marido mais à noitinha.
A genética não foi uma merda assim tão fodida comigo, não me posso queixar muito, mas tento olhar as minhas imperfeições de uma forma transversal, como se fosse um psicólogo a analisar-me, a tentar fazer-me ter mais orgulho em mim... isto não significa que vá pavonear as banhas para a praia, ou mesmo até lá no tanque de casa, antes sim, que ao vestir o fato de banho não sinta vergonha de me esconder atrás do pano; aqui jaz a minha falta de tempo para cuidar de mim, mas cabe todo o tempo para cuidar dos meus.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Podem botar faladura à vontade (mas não à vontadinha ok?)