Desde Julho que ando a ressacar.
A reemergir de um misto de euforia e profunda tristeza.
Se, por um lado, ajudar nos estimula
(e que ninguém diga que não se sente melhor por isso, e para isso o faz; pelos outros,
mas também por si, este é o mote para a solidariedade), por outro lado, faz
doer muito. O confronto com realidades recônditas, escabrosas, perversas,
faz-nos (me) reequacionar tanta coisa, tantas premissas que temos como certas
no nosso dia a dia cor-de-rosa. Tantas certezas inabaláveis, tantos caminhos
traçados como os únicos possíveis, tanto discurso, arrogante por vezes, suportado
por factos rigorosos e… de repente tudo cai por terra, todas estas convicções e
certezas se desvanecem qual D. Sebastião (se é que o gajo sequer sabia andar a
cavalo).
Verbalizar é a única forma que
tenho de ultrapassar obstáculos emocionais com que me vou deparando. Coisas
há que me acontecem que não me permitem reagir no imediato. Eu! a cabra explosiva,
afinal para algumas vezes e fica qual vaca no pasto, depois de encher o bandulho, a ruminar. Tempos em
silêncio. À espera que a digestão se comece a dar. Deitada à sombra do pinheiro
mais escondido, no alto da serra mais desconhecida. Preciso de oxigénio, de pensar, se bem que se trata de um esforço improfícuo. Preciso
de ter muito que fazer, de tal ordem que o tempo seja escasso, que o cansaço me
impeça de sentir, de equacionar os “e se’s” da minha (nossa) vida(s).
Eu sou uma gaja de ciências.
Matemáticas, factos puros e duros, nada de empírico, nem cá de subjectividades,
nem pontos de vista nem o caralhinho. É preto, é preto, é branco, é branco;
ponto. Dar por mim a meio da ponte, naquele vai e não vai típico dos indecisos,
deixa-me furiosa, fodida, vá! Deixa-me tonta, e não gosto de me sentir assim;
não estou habituada a não conseguir perceber os meus sentimentos de forma
assertiva, clara e racional.
Equilibrada a balança e postos os prós e os contras em cada um dos seus pratos, dúvidas não existem. Mas apesar
do resultado desta equação estar bem em frente aos meus olhos, estão em causa
sentimentos de seres doridos e magoados em demasia pela vida, e o meu receio de
falhar é maior que a racionalidade deste resultado matemático que se me esbarra
nas vistas.
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Podem botar faladura à vontade (mas não à vontadinha ok?)