quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Queres ser minha amiga?



Desde Julho que ando a ressacar. A reemergir de um misto de euforia e profunda tristeza.

Se, por um lado, ajudar nos estimula (e que ninguém diga que não se sente melhor por isso, e para isso o faz; pelos outros, mas também por si, este é o mote para a solidariedade), por outro lado, faz doer muito. O confronto com realidades recônditas, escabrosas, perversas, faz-nos (me) reequacionar tanta coisa, tantas premissas que temos como certas no nosso dia a dia cor-de-rosa. Tantas certezas inabaláveis, tantos caminhos traçados como os únicos possíveis, tanto discurso, arrogante por vezes, suportado por factos rigorosos e… de repente tudo cai por terra, todas estas convicções e certezas se desvanecem qual D. Sebastião (se é que o gajo sequer sabia andar a cavalo).

Verbalizar é a única forma que tenho de ultrapassar obstáculos emocionais com que me vou deparando. Coisas há que me acontecem que não me permitem reagir no imediato. Eu! a cabra explosiva, afinal para algumas vezes e fica qual vaca no pasto, depois de encher o bandulho,  a ruminar. Tempos em silêncio. À espera que a digestão se comece a dar. Deitada à sombra do pinheiro mais escondido, no alto da serra mais desconhecida. Preciso de oxigénio, de pensar, se bem que se trata de um esforço improfícuo. Preciso de ter muito que fazer, de tal ordem que o tempo seja escasso, que o cansaço me impeça de sentir, de equacionar os “e se’s” da minha (nossa) vida(s).

Eu sou uma gaja de ciências. Matemáticas, factos puros e duros, nada de empírico, nem cá de subjectividades, nem pontos de vista nem o caralhinho. É preto, é preto, é branco, é branco; ponto. Dar por mim a meio da ponte, naquele vai e não vai típico dos indecisos, deixa-me furiosa, fodida, vá! Deixa-me tonta, e não gosto de me sentir assim; não estou habituada a não conseguir perceber os meus sentimentos de forma assertiva, clara e racional. 

Equilibrada a balança e postos os prós e os contras em cada um dos seus pratos, dúvidas não existem. Mas apesar do resultado desta equação estar bem em frente aos meus olhos, estão em causa sentimentos de seres doridos e magoados em demasia pela vida, e o meu receio de falhar é maior que a racionalidade deste resultado matemático que se me esbarra nas vistas.

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