Eis que tenho que me dirigir ao padre da paróquia desta santa terrinha que
me acolhe há cerca de 7 anos. Terrinha esta, onde ainda se usa a fotografia dos
marados exposta em cada tasca e mercearia da esquina, só para vos dar um
cheirinho da parvalheira em que me vim meter.
Tive o privilégio de o ouvir a debitar alarvidades por aquela bocarra fora
em casamentos, batizados e funerais. Em quase todos blasfemei não só em
pensamento, mas verbalizando também, se bem que em tom contido, mas
verbalizando; cheguei mesmo a retirar-me de uma destas cerimónias nas quais
tive o desprazer de o ouvir a desrespeitar todos os presentes.
É uma pessoa execrável, de um mau gosto refinado, de uma maldade e sentido
de oportunidade para magoar requintado, possuidor de um dom para fazer
sobressair em cada pessoa com que priva, a raiva e a repulsa ao mais alto
nível. É um verme, portanto. Julga-se dono da verdade e o melhor servo de Deus.
Todos os outros são uma merda, diz ele. Não comungamos, não vamos à missa, não
participamos na celebração da fé cristã. Não prestamos.
Disse-me tanta merda que tive que manter o foco nos meus 2 afilhados, de
forma a não o mandar para a real puta que o pariu e dizer-lhe que ele é uma
bosta daquelas que nem às colheradas pequeninas conseguiria nunca, de forma
alguma, deglutir.
Não ouvi metade do que me disse; não podia; a determinada altura só lhe
perguntei: então não pode passar as declarações, pois não Sr. Padre?
(traduzindo, senti algo parecido com isto: ó meu grande boi, não vais passar
essa merda, pois não? acho que o demonstrei também). Esta pergunta foi o
suficiente para que descolasse da cadeira, não parando o sermão, mas descolando
da cadeira para escrevinhar qualquer merda em papel timbrado. Nesta altura
estava a passar-me e o meu sangue fervia de tal forma que ruborizei e senti um
aperto nas veias jugulares a ponto de pensar que iam rasgar. Apetecia-me dar-lhe
uma paulada naquela cabeça com tal força, que fizesse com que os neurónios dele
descessem à terra e perdessem a mania que são os melhores da galáxia, neste
misto de narcisismo e egocentrismo que se apoderaram deste ser-menor.
Passou as declarações, mas em boa verdade vos digo: foram os papeis mais difíceis
de obter em toda a minha vida. Nem quando
tive que aceder a que minha sogra fosse ao meu casamento me custou tanto quanto
ontem. Cum caralho…
Sobre este chega p’ra lá destes pseudopadres escreverei em tempo oportuno
(ou não).
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