São 2:30h da manhã.
O Ramsey está a remodelar o mesmo hotel pela 3ª vez seguida, mas a minha preguiça em mudar de canal é maior do que o incomodo que sinto em saber o desfecho da história por isso fui buscar o computador.
Vou agendar esta posta de pescada aí para o meio da manhã de amanhã, para quem me possa eventualmente ler não ter como relacionar a minha demência com o facto de eu não dormir.
Estou de rastos, física e emocionalmente.
A par do cansaço e de não conseguir esquecer os incêndios que nos cercam e ameaçam em todas as frentes, tenho em mim uma alegria e um orgulho enorme.
O dia foi violento. Trabalho a mil, com dezenas de merdas pendentes e urgentes, daquelas que aparecem sempre nas vésperas das férias (pelo menos a mim). Precisava mesmo muito de ficar a trabalhar até mais tarde hoje, mas não podia. Tinha águas para entregar, pessoas a quem tinha dito que o ia fazer e com as quais não podia falhar; amigos a postos para carregar e marido em alerta pois apesar de lhe ter dito que desta vez não iria sobrar para ele, sobrou (ele já sabia, já me conhece, e sabe que tento sempre atacar todas as frentes em simultâneo mas como é óbvio não consigo e ele é o meu braço direito e o esquerdo, o meu bombeiro de serviço, sempre). Tinha a compra das águas para gerir com o fornecedor; ir lá falar com o gerente a ver se entregavam; não entregam, estão atolados em serviço e com pessoal de férias; pedir talões individuais; fazer contas às embalagens, pois lá não se vendem aguas à unidade; arranjar carro meu que pudesse ir carregar; arranjar braços meus que pudessem ir carregar; despender da hora do almoço para ir pagar de forma a que, quando o carro estivesse livre, fosse só carregar porque a minha tarde ia ser igual à manhã, uma puta duma confusão com os minutos contados.
Ao fim da tarde, finalmente no carro com o meu mais-que-tudo, uma amiga (daquelas que são família) e os seus 2 filhos (que são os meus meninos), atarantada como sempre, com mil e uma merdas na mona a bater tipo pratos de uma orquestra em pleno concerto, recebo um convite vindo do banco de trás que me deixou absolutamente derretida, emocionada, surpreendida, orgulhosa e tudo mais de bom que se possa imaginar num coração pequenito e cabrãozito como o meu.
Do alto dos seus 5 anos, o meu menino mais novo diz-me: Máááta! Máááta! Eu quero que tu sejas minha "madinha"...
Não consigo (d)escrever o que senti.
Primeiro achei que não tinha ouvido bem, que estava confusa como estou sempre.
Os olhos rasaram-se de água. O coração acelerou. Apetecia-me gritar. Apetecia-me chorar de alegria. Tive que me segurar muito.
Saber que os adoramos como se fossem nossos e que eles o sentem é o bastante.
Podemos ter mil defeitos, eu tenho mil e um, mas quando os mais puros consideram que o amor que temos por eles é maior que os nossos defeitos, então, estamos no caminho certo. E não vale a pena pensar que o menino é inocente e o caralho, que não sabe o que faz, e que foram os paizinhos que decidiram e ele só "deu o recado" e que coiso e tal. Os meus amigos são tão fodidos da mona como eu (é, os malucos dão-se bem uns com os outros) e deram ao filho a oportunidade de ser ele a escolher os seus padrinhos. Ele pensou sobre o assunto, foi informado da importância dos padrinhos e das suas funções. Acresce que euzinha lhe perguntei: olha lá, mas tu sabes que eu sou maluca, não sabes? sabes que eu digo palavrões e falo alto, não sabes? Tu tens mesmo a certeza?
Respondeu-me que sim a tudo com o sorriso mais meloso e doce que alguma lhe vi (seria o meu olhar diferente provavelmente naquele momento, bem sei).
Por isto tudo hoje não durmo. Hoje, não por insónia; hoje pela sensação de dever cumprido a muitos níveis.
Ah! E entregamos 2.088 garrafas de água em 3 corporações de Bombeiros Voluntários: S. Mamede de Infesta, Nogueira da Maia e Pedrouços. 3 tolos e 2 crianças numa carripana velha que eu tenho medo que se desfaça a cada curva mas que se portou qual mercedes acabadinha de sair do stand.
Agora vou só ali à cozinha enfardar-me de chocolates que hoje mereço.
não, não mereces hoje. mereces SEMPRE!!!! não sabia que eras chocoólica como eu!
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