sexta-feira, 8 de setembro de 2017

um misto entre revolta e jardinagem

Eu gostava de abraçar o céu e a terra em certos momentos...
Ter a capacidade de abrir portas, fechar janelas, arejar casas, fazer sorrir corações doridos de tanta merda com que se cruzaram na vida...
Eu gostava de ter a capacidade de escrever e falar de forma tão entusiasmante que quem me ouvisse fosse capaz de despertar, de ser menos egoísta. Ter o dom da palavra, fazer com que as consciências se alertassem para o horror que as rodeia... para as vidas tão piores que as nossas e com as quais no cruzamos todos os santos dias sem nos apercebermos.
Eu preciso de arranjar maneira de alimentar este bicho que faz o mundo girar, que faz as crianças, velhos e novos, e caquetitos sorrir, a empatia!
Era tudo tão mais fácil se conseguíssemos todos ter empatia pelo próximo...
Trata-os como gostavas que te tratassem a ti.
Fala-lhes como gostas que te falem a ti.
Sorri-lhes, pelo menos isso... dá de ti de forma desinteressada, a alguém de quem não tenhas qualquer hipótese de retorno... experimenta que vais ver que recebes tão mais.
Eu gostava de ter o poder ou, pelo menos, a capacidade de fazer com que alguns sentissem o que sente quem está só e sem amparo. E eu tenho tanto medo de um dia me sentir assim... de um dia ficar assim e de ninguém me ver, de ninguém ver os meus...
Eu não sou santa atenção! Eu sou uma besta quadrada, eu blasfemo, digo mil e quinhentos palavrões ao mesmo tempo que penso milhões deles, discordo de tanta gente de forma tão drástica que às vezes até a mim me choco. Num dia sou capaz de amar, odiar, ficar indiferente, mandar à merda, dar um beijinho ou sacudir o pó, mas amorfa nunca fico. Não consigo ver alguém sofrer e ficar indiferente.
Esta entropia, este adormecimento da comunidade choca-me horrores.
Felizmente conheço e privo com muita gente que partilha desta forma de estar.
Jardineiros que plantam a todo o custo a semente da empatia por esses jardins, canteiros, vasos, vasinhos, entre paralelos, em cada pedaço de terra que encontram, por mais infimo que seja, e que regam estas sementes a cada dia que passa. Nem que saibam que amanhã vão chover canivetes e que toda a plantação provavelmente se irá foder toda!



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