quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Dessem-me outro passado e não seria assim certamente


Expludo com imensa facilidade. Qualquer coisita e lá vai ela: grita, abana-se toda, curva-se e pragueja a sete ventos como se não houvesse amanhã.
Mas estou a passar uma fase bastante conturbada a nível profissional o que me rouba o discernimento para separar o trigo do joio, ou seja, o trabalho da família.
Emotiva a 200%, quando estou fodida, estou mesmo fodida, assim tipo: pra tudo! Bem tento, mas é um sentimento que me transcende, uma capacidade que sinto cada vez mais longínqua de conseguir alcançar. Quando reparo nos estragos instantâneos que estas minhas detonações estão a causar em meu redor, bato com a cabeça na parede e penso: estúpida de merda! Pára já! E paro. E reflito. E penso que sou uma merda, um verdadeiro poio bem grande e mal cheiroso e que devia enfiar as fuças na cagadeira e descarregar o autoclismo aí umas cem vezes seguidas. Depois de me autoflagelar uns bons minutos, respiro fundo e rearmo o meu cérebro para a função normal, desligo o complicómetro e retorno à minha normal anormalidade. Se bem que temporárias estas fases moem-me a alma.
Quando passo muitos dias à espera que chegue a hora de fugir do trabalho é sinal que anda merda na costa. Na maior parte das vezes, tanto na questão laboral como em tudo o resto na minha vida, não consigo verbalizar nem tão pouco organizar as minhas ideias perante certos sentimentos e revoltas que vão surgindo (como pintas de varicela, hoje uma, amanhã duas, depois dez, depois mil e a seguir fode-se tudo) logo aos primeiros sinais. Há pessoas que são tão assertivas no imediato quanto aos seus sentimentos e sentidos que até me chocam. Eu não. Sou assim tipo caracol, preciso de tempo para engolir, digerir, para ruminar e só depois, depois da explusão final, paro e regurgito tudo; aí sim de forma ponderada e assertiva. Depois? Depois é sair da frente que quando está tudo em ponto de rebuçado, sai discurso de levar às lágrimas os visados. Está marcado. 

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